Quem observa pousos e decolagens no Aeroporto de Bacacheri, em Curitiba, muitas vezes não imagina a operação essencial que ocorre nos hangares. Inspeções técnicas detalhadas identificam desgastes, corrigem falhas ocultas e evitam que problemas mecânicos se transformem em incidentes. Ao menos cinco aeronaves passam por manutenção diariamente, somando mais de 1.200 atendimentos por ano.
A infraestrutura do terminal sustenta esse ecossistema de segurança e atrai clientes de todo o país. Em 2025, mais de 500 operações foram realizadas por empresas em busca de serviços especializados. O aeroporto oferece pista compatível com diversos modelos da Aviação Geral, área para testes de motores, apoio operacional em solo e suporte técnico contínuo.
O polo reúne empresas de destaque como Helisul Aviação, Táxi Aéreo Hércules e Aeromecânica, que mantêm hangares e oficinas certificadas. A Helisul, fundada em 1972, é uma das maiores operadoras de helicópteros da América Latina. A Hércules atua na aviação executiva e logística aérea, enquanto a Aeromecânica, instalada no Bacacheri desde 2000, cresceu para mais de 210 profissionais em quatro bases operacionais.
As inspeções seguem critérios rigorosos da ANAC e fabricantes, abrangendo motores, trem de pouso e sistemas hidráulicos, elétricos e aviônicos. Muitas vezes, aeronaves chegam sem sinais aparentes de problemas, mas apresentam desgastes avançados que poderiam evoluir para incidentes. “Segurança se constrói em cada detalhe”, afirma José Marcos Pinto, sócio da Aeromecânica.
Entre os modelos mais atendidos estão jatos Embraer Phenom, King Air e Cessna, além de Piper e Cirrus. A formação de mecânicos exige curso técnico homologado pela ANAC, estágio supervisionado e certificação, complementados por treinamentos contínuos. Revisões completas podem durar até 90 dias, sempre documentadas e auditáveis, reforçando a confiabilidade das operações e a reputação do Bacacheri como referência nacional em manutenção aeronáutica.