As embalagens de produtos, que deveriam informar com clareza o que o consumidor está comprando, muitas vezes escondem truques visuais que reduzem a quantidade real oferecida. O tema foi abordado em vídeo recente do jornalista Marcelo Baccarin - ex-repórter do programa "Pequenas Empresas, Grandes Negócios", da Rede Globo - em seu canal no Youtube, que expôs exemplos práticos de como a indústria, segundo ele, manipula a percepção de volume e valor.
Entre as técnicas mais comuns estão os fundos falsos em potes de vidro. O apresentador mostra como bases extremamente grossas ou fundos internos reduzem o espaço útil, dando a impressão de que o recipiente contém mais produto do que realmente possui.
Outro recurso frequente é o uso de divisórias largas em caixas. Elas ocupam espaço interno sem necessidade, limitando a quantidade de itens, mas mantendo a aparência de embalagem volumosa. Essa prática engana o consumidor que confia no tamanho externo como referência.
O vídeo também destaca o excesso de ar em embalagens, como no caso de queijos embalados. O espaço vazio é preenchido por gás ou ar, criando a sensação de produto cheio, quando na verdade a quantidade é bem menor.
O design frontal das embalagens é outro ponto de crítica. Muitas caixas são largas na frente para chamar atenção nas prateleiras, mas finas quando vistas de lado. Essa diferença de proporção reforça a ilusão de volume e induz o consumidor ao erro.
Além disso, há casos de redução do conteúdo sem aviso claro. Baccarin cita comprimidos vendidos em caixas grandes, mas com número reduzido de unidades. O tamanho da embalagem sugere mais produto do que realmente está disponível.
Segundo o Código de Defesa do Consumidor, práticas que induzem o cliente a erro podem ser enquadradas como publicidade enganosa. A lei proíbe condutas que distorçam informações ou criem falsas expectativas sobre o que está sendo adquirido.
O vídeo traz uma nota escrita da Associação Brasileira de Embalagens dizendo que as embalagens de seus associados estão de acordo com as normas vigentes no país e que, em alguns casos a aparente falta de produto se deve ao fato de melhorar a preservação e armazenamento do conteúdo. Entretanto se o consumidor tiver dúvidas, pode contatar o serviço de atendimento do fabricante que consta obrigatoriamente na embalagem.
Também há uma nota escrita do PROCON dizendo que caso a embalagem seja desproporcional ao conteúdo, induzindo o comprador a erro, pode ser donsiderado propaganda enganosa, sim, por estar em desacordo com a legislação. (Veja vídeo abaixo)
EM todo caso, a principal recomendação do apresentador é simples: observar com cuidado o peso líquido, a quantidade e o formato da embalagem antes de decidir pela compra. "Essa atitude crítica é a melhor forma de evitar ser enganado por truques visuais", diz Baccarin.
Fontes: Vídeo de Marcelo Baccarin no YouTube; Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990).