Vorcaro e Zema pressionaram governo na mineração da Serra
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, financiou a Tamisa por meio do fundo Victoria Falls, enquanto o governo Zema ampliava TACs e TCs que permitiram a exploração da Serra do Curral sem licença ambiental
Por PORTAL MEGAVAREJO
Publicado em 14/05/2026 09:42
Política
Reprodução/Montagem

A Serra do Curral, patrimônio histórico e ambiental de Belo Horizonte, foi alvo de intensa exploração minerária nos últimos anos. Empresas ligadas a Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel se beneficiaram de instrumentos legais que permitiram a continuidade da atividade, mesmo diante de embargos e autuações. Comunidades quilombolas vizinhas, como o Manzo Ngunzo Kaiango, sofreram diretamente os impactos da mineração.  

O mecanismo que sustentou essa prática foi a multiplicação dos termos de ajustamento de conduta (TACs) e termos de compromisso (TCs), que cresceram exponencialmente durante o governo de Romeu Zema. Entre 2019 e 2022, foram firmados 358 acordos, mais que o triplo do período anterior. Mineradoras como Tamisa, Empabra, Gute e Fleurs se beneficiaram diretamente, mesmo atuando em área protegida.  

Daniel Vorcaro teve papel central nesse esquema por meio do Victoria Falls Fundo de Investimento, sócio majoritário da Tamisa. O fundo era ligado ao Banco Master, de sua propriedade, liquidado pelo Banco Central em 2025 após fraudes bilionárias. Assim, Vorcaro financiava e sustentava a mineradora que avançava sobre a Serra do Curral, enquanto Zettel figurava como acionista por meio de consultorias. O governo Zema, ao ampliar o uso dos TACs e TCs, criou o ambiente legal que permitiu a continuidade da exploração.  

As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público revelaram indícios de corrupção sistêmica no setor minerário. Operações como Poeira Vermelha, Parcours e Rejeito identificaram pagamento de propina a órgãos ambientais e favorecimento de empresas na assinatura de TACs e TCs. Funcionários da Fundação Estadual do Meio Ambiente e do Instituto Estadual de Florestas chegaram a ser presos, assim como empresários ligados às mineradoras.  

No segundo mandato de Zema, os acordos caíram quase pela metade, mas ainda permaneceram em patamar elevado. A redução coincidiu com o avanço das investigações federais. Em 2026, uma decisão da Justiça Federal suspendeu todas as atividades minerárias na Serra do Curral, interrompendo 57 processos de licenciamento e multando a Agência Nacional de Mineração por descumprir ordens judiciais anteriores.  

Para as comunidades quilombolas, a decisão representou um marco após anos de luta. A rotina marcada por poeira, trânsito intenso e explosões foi interrompida, trazendo alívio e esperança de preservação do território. O caso expõe como a flexibilização da legislação ambiental e a participação de empresários como Daniel Vorcaro, somada às políticas do governo Zema, favoreceram a exploração de uma área protegida em detrimento da preservação e dos direitos das populações tradicionais.

Fonte: Agência Pública

 

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